PROF. DR. TARCÍSIO ELOY PESSOA DE BARROS FILHO DRA ERIKA MEIRELLES KALIL PESSOA DE BARROS PROF. DR. DALTON FISCHER CHAMONE DR. ALFREDO MENDRONE DR REGINALDO PERILO DE OLIVEIRA DR. ALEXANDRE FOGAÇA CRISTANTE DR. RAPHAEL MARTUS MARCON

EMPREGO DE CÉLULAS PROGENITORAS NO TRATAMENTO AGUDO DA LESÃO MEDULAR EM HUMANOS -A lesão traumática da medula espinal consiste numa das mais incapacitantes lesões que o ser humano pode sofrer e tem despertado grande interesse no conhecimento das alterações histopatológicas, bioquímicas, funcionais e principalmente na busca de métodos de prevenção e tratamento. O presente estudo tem por objetivo analisar prospectivamente o efeito de células progenitoras indiferenciadas da linhagem hematogônica no tratamento agudo da lesão medular.
EMPREGO DE CÉLULAS PROGENITORAS NO TRATAMENTO AGUDO DA LESÃO MEDULAR EM HUMANOS - O traumatismo raquimedular era tido com uma doença sem tratamento. Até dez anos atrás, tudo o que poderia ser feito era estabilizar a coluna, tratar infecções e espasticidade e prescrever fisioterapia. Contudo, o desenvolvimento de pesquisas nesta área indica que as lesões agudas na medula espinal podem ser minimizadas com o uso de drogas, desde que administradas num curto espaço de tempo após o trauma . No início deste século foram realizados os primeiros experimentos acerca da fisiopatologia da lesão espinal. Contudo, estes trabalhos só foram retomados na década passada por investigadores que começaram a valorizar as mudanças tempo dependentes na patologia do trauma raquimedular. O imenso déficit neurolgico decorrente da lesão da medula espinal advém da somatória de dois eventos distintos: a lesão mecânica inicial e a lesão endógena secundária é consequente. A lesão primária é produzida pelo trauma em si, com morte celular e liberação de eletrólitos, metabólitos e enzimas, sendo, portanto um processo mecânico que independe de controle celular. A lesão secundária da medula espinal envolve complexas mudanças bioquímicas, surgindo como cascata de eventos envolvendo edema, inflamação, isquemia,  fatores de crescimento, metabolismo do cácio e peroxidase lipíica onde os esforçs cientíicos se concentram para possibilitar seu controle.Farmacologicamente, drogas moduladoras das respostas endógenas à lesão primária estão sendo progressivamente introduzidas a fim de limitar o dano tecidual e melhorar o potencial de recuperação funcional destes pacientes. Estas drogas visam interromper os mecanismos fisiopatológicos de lesão neuronal secundária.Avanços clínicos e científicos indicam que as lesões agudas na medula espinal podem ser manipuladas por terapêuticas farmacológicas utilizadas num curto espaço de tempo. Após lesões do sistema nervoso central há um período de déficit seguido de período de variável recuperação funcional. Tal recuperação se deve principalmente a alterações nos circuitos não lesados, mas o processo exato de recuperãção ainda não foi completamente esclarecido. O tratamento ideal para a lesão medular seria aquele que não apenas diminuísse a lesão, mas que também estimulasse o processo de reparação. Ao contrário do conceito de dez anos atrás,  já esta provado que neurônios fora do sistema nervoso central, na medula espinal imatura e em meios especiais de cultura podem regenerar.Atualmente têm sido desenvolvidas linhas de pesquisas para utilização de neurotransmissores, transplante de células fetais, transplante de células indiferenciadas, implante de eletrodos, emprego de substâncias promotoras de remielinização; mas ainda não apresentam resultados definitivos.A utilização de transplante de células indiferenciadas e células precursoras em estudos para tratamento da lesão medular tem cerca de dez anos. Células indiferenciadas são células multipotentes que apresentam a capacidade de se proliferar e originar células de qualquer linhagem e de qualquer tecido. Em animais foi provado que células indiferenciadas transplantadas na medula normal ou lesada pode se diferenciar em neurônios. Células precursoras de neurônios podem ser isoladas e expandidas em culturas na presença de mitógenos, e quando transplantadas podem originar neurõnios e oligodendrócitos.  Outro conceito foi recentemente alterado quando se provou que células adultas podem ser reprogramadas a expressar genes típicos de células diferenciadas de qualquer uma das três linhagens: mesoderma, ectoderma e endoderma. Este fato possibilitou a constatação de que o estado diferenciado das células é reversível e que requer regulação contínua do meio.